Pemba e Mueda – Moçambique

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Mulher com Mussiro e colar Makonde Fot: Lucas Moura

Uma das expressões artísticas mais fortes da cultura Moçambicana, a escultura, encontra a sua raíz no planalto de Mueda através dos famosos escultores Makondes e também através da destreza e habilidade dos artesãos Macuas. Enquanto na escultura Makonde a expressão humana adquire figura e for- ma através dos Ujamaa (uma torre de intricadas figuras humanas simbolizan- do a solidariedade da nova sociedade africana) e das figuras fantásticas dos Shetanis (representando os espíritos do mato, pacíficos ou perigosos1), já o trabalho Macua representa fortemente os objectos utilitários e as formas abstractas, onde o artesão utiliza o torno como ferramenta adicional às tradicionais. No entanto, com o constante fluxo migratório, os escultores absorveram fortes influências das regiões circumvizinhas, e a massificação resultante deu origem a trabalhos repetitivos e muitas vezes pouco atractivos.

Foi aliando a inovação à destreza, e buscando novas maneiras de olhar a sua arte e história, que novos produtos foram desenhados e desenvolvidos em con- junto com os artesãos, procurando igualmente diminuir a quantidade de matéria prima utilizada e o impacto do continuo uso de madeiras nobres. As esculturas generalizadas deixam de povoar as prateleiras para serem, a pouco e pouco, substituídas por peças decorativas e utilitárias, os animais deixam de ser está- ticos para se tornarem vivos em belos colares e pulseiras. Desta forma, tentou manter-se a história do povo num contexto actual, representada nas novas peças produzidas. Com o incremento da actividade económica a tradição sem mantém e novos aprendizes se alinham aos mestres para aprender, como no passado, a esculpir na mandioca ou em madeiras leves como o ntene e nkango, a maravilhosa técnica da escultura.

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